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A SILICOSE NO BRASIL
A silicose é a pneumoconiose de maior prevalência no Brasil,
devido a ubiqüidade da exposição à sílica. Encontramos no país,
todas as situações de exposição à sílica onde há risco de silicose,
assim como situações peculiares de exposição.
O número estimado de trabalhadores potencialmente expostos a
poeiras contendo sílica é superior a 6 milhões (por volta de 4
milhões na construção civil, 500.000 em mineração e garimpo e
acima de 2 milhões em indústrias de transformação de minerais,
metalurgia, indústria química, de borracha, cerâmicas e vidros).
Temos dados referentes à ocorrência de silicose de diferentes
tipos, tais como número de casos diagnosticados em serviços
especializados e prevalência de silicose em grupos industriais,
tais como Pedreiras a céu aberto (3,0), Cerâmicas (3,9), Fundições
(4,5), Indústria Naval (23,6) e Cavação de poços (17,4). Estas
taxas de prevalência referem-se a trabalhadores em atividade e o
contraste entre as mesmas reflete as condições de exposição dentro
de cada grupo analisado. Somente no Estado de Minas Gerais,
calcula-se que haja cerca de 7416 casos provenientes de mineração
de ouro (Min Saúde, 1997). Sabe-se que destes cerca de 4500 casos
são da região de Nova Lima. Os números de casos provenientes de
garimpo e lapidação não são bem conhecidos.
Como a silicose é uma doença de desenvolvimento lento,
excetuando-se os casos de silicose aguda e sub-aguda, e pode
progredir independentemente da exposição continuada, boa parte dos
casos só serão diagnosticados anos após o trabalhador estar
afastado da exposição.
Em 1978 estimou-se que o _estoque_ de casos de silicose no país
seria próximo a 30.000 casos, através de uma busca ativa de casos
de silicose em sanatórios de tuberculose (Mendes, R 1978).
Foram descritos inúmeros casos graves de silicose em cavação de
poços (Holanda et al, 1995) e jateamento de areia na indústria
naval (Comissão Técnica do Estado do Rio de Janeiro, 1994).
Levantamento recente de casos de silicose acompanhados no
ambulatório da FUNDACENTRO, mostra que os casos provenientes da
mineração tendem a ser mais graves do que casos provenientes de
indústrias urbanas como fundições e cerâmicas. É freqüente o
aparecimento de casos graves provenientes de pequenas empresas e
empresas fantasmas, pela total ausência de medidas de controle de
exposição a poeiras. Um exemplo desta situação são os casos em
lapidários, recentemente avaliados pelo Ambulatório de Doenças
Profissionais da UFMG e pelo ambulatório de Pneumologia
Ocupacional da FUNDACENTRO, assim como em jateadores de areia
diagnosticados em Curitiba.
A silicose é uma doença que pode ser incapacitante, associar-se a
complicações como a tuberculose, limitação crônica ao fluxo aéreo
e câncer de pulmão. Não há tratamento padronizado e geralmente
evolui com o correr dos anos. Nos países desenvolvidos sua
ocorrência esta em franco declínio, pela instituição de medidas de
controle de exposição a poeiras, substituição da sílica em algumas
operações e conscientização de empresas e trabalhadores. No Brasil
coexistem situações nas quais houve nítidas melhorias de condições
de trabalho em alguns setores nas últimas décadas, com outras
atividades exercidas em precárias condições ou ainda pouco
conhecidas. Continuamos a diagnosticar casos de silicose com
freqüência na prática clínica. É uma doença perfeitamente
prevenível e já há tecnologia disponível para evitá-la. A OMS e
OIT lançaram um programa conjunto de erradicação da silicose no
ano de 1995.
No período de 06 a 10 de novembro de 2000, a FUNDACENTRO, a
Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná e a Fundação Oswaldo
Cruz, com apoio da OIT e OMS, além de inúmeras instituições
governamentais e não governamentais realizaram o Seminário
Internacional sobre Exposição à Sílica - Prevenção e Controle. A
realização do Seminário foi uma iniciativa que veio ao encontro
dos objetivos propostos pelo programa internacional para a
eliminação global da silicose, pois debateu questões pertinentes à
situação da doença no Brasil com enfoque para as medidas de
prevenção e controle, procurando identificar e difundir as formas
e meios que essas ações e medidas possam ser efetivamente
aplicadas e motivar todos os envolvidos com a questão a envidar
esforços para que a doença seja cada vez mais um achado raro na
nossa sociedade.
Nesse Seminário firmou-se um compromisso de se elaborar um
Programa Nacional de Eliminação da Silicose que integre as ações
institucionais, principalmente das áreas Saúde, Trabalho e
Previdência, garantindo que em seus projetos estratégicos
contemple a questão da eliminação da SILICOSE e que considere a
possiblidade da contribuição da Organização Mundial da Saúde,
Organização Internacional do Trabalho, convênios de cooperação
técnica com outros países e ainda a participação dos demais atores
sociais envolvidos na questão.
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