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ELIMINAÇÃO DA
SILICOSE
A Silicose no Brasil - A Silíca - Eliminação da Silicose - Exposição à Silica no Brasil - Leis sobre proibição do uso do Jato de Areia
A silicose é a mais antiga, mais grave e mais prevalente das
doenças pulmonares relacionadas à inalação de poeiras minerais,
confirmando a sua importância na lista das pneumoconioses. A
descrição da doença já foi relatada há muitos séculos.
É uma doença pulmonar crônica e incurável, com uma evolução
progressiva e irreversível que pode determinar incapacidade para o
trabalho, invalidez, aumento da suscetibilidade à tuberculose e,
com freqüência, ter relação com a causa de óbito do paciente
afetado. É uma fibrose pulmonar nodular causada pela inalação de
poeiras contendo partículas finas de sílica livre cristalina que
leva de meses a décadas para se manifestar.
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) da OMS
considera a sílica livre cristalina inalada como um cancerígeno do
Grupo 1 (em situações experimentais e em humanos).
Apesar de muito que se conhece sobre esta doença ocupacional,
perfeitamente prevenível, ainda no século XXI a silicose continua
a matar trabalhadores em todo o mundo. Milhares de novos casos são
diagnosticados a cada ano em várias partes do mundo com
predominância nos países em desenvolvimento onde as atividades que
envolvem a exposição à sílica são muito freqüentes, destacando que
em países desenvolvidos as pneumoconioses estão em franco
declínio.
No Brasil a identificação de casos novos é epidêmica e a silicose
é considerada a principal doença ocupacional pulmonar, devido ao
elevado número de trabalhadores expostos à sílica e infelizmente
não há uma estatística exata sobre os casos de doentes. É
responsável pela invalidez e morte de inúmeros trabalhadores em
diversas atividades.
A doença que pode ser evitável, tem importância na agenda de
organismos internacionais relacionados à saúde e ao trabalho, como
Organização Internacional do Trabalho- OIT e Organização Mundial
da Saúde - OMS, que em 1995 lançaram um programa conjunto de
eliminação global da silicose, com a ambiciosa intenção de
diminuir drasticamente a sua prevalência em âmbito mundial. Este
programa visa, essencialmente, a aplicação dos conhecimentos
acumulados nas últimas décadas em ações de prevenção primária da
doença e busca promover a colaboração dos países membros para
estabelecerem medidas e programas que levem a eliminação dessa
doença até 2030.
No período de 06 a 10 de novembro de 2000, a FUNDACENTRO, a
Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná e a Fundação Oswaldo
Cruz, com apoio da OIT e OMS, além de inúmeras instituições
governamentais e não governamentais realizaram o Seminário
Internacional sobre Exposição à Sílica - Prevenção e Controle. A
realização do Seminário foi uma iniciativa que veio ao encontro
dos objetivos propostos pelo programa internacional para a
eliminação global da silicose, pois debateu questões pertinentes à
situação da doença no Brasil com enfoque para as medidas de
prevenção e controle, procurando identificar e difundir as formas
e meios que essas ações e medidas possam ser efetivamente
aplicadas.
(Anexo 1)
1.,Documento de referência.
2.Higienista Ocupacional, CIH*, Consultora, 26 ch.Colladon, 1209
Geneve, Suíça.
* Certificada pelo American Board of Industrial Hygiene.
3.Médico do Trabalho, Diretor de Saúde Ocupacional da PM de
Curitiba, Prof. da Fac. Evangélica do Paraná.
Riscos Ocupacionais
O risco de adquirir silicose depende basicamente de três
fatores: concentração de poeira respirável, porcentagem de sílica
livre e cristalina na poeira e a duração da exposição.
As poeiras respiráveis são freqüentemente invisíveis a olho nu e
são tão leves que podem permanecer no ar por período longo de
tempo. Essas poeiras podem também atravessar grandes distâncias,
em suspensão no ar, e afetar trabalhadores que aparentemente não
correm risco.
A poeira de sílica é desprendida quando se executa operações, tais
como: cortar, serrar, polir, moer, esmagar, ou qualquer outra
forma de subdivisão de materiais que contenham sílica livre e
cristalina, como areia, concreto, certos minérios e rochas,
jateamento de areia e transferência ou manejo de certos materiais
em forma de pó.
No Brasil as atividades que apresentam maior risco de se adquirir
a silicose são:
-
Industria extrativa ( mineração subterrânea e a céu aberto,
perfuração de rochas e outras atividades de extração, como
pedreiras e beneficiamento de minérios e rochas que contenham o
mineral);
-
Fundição de ferro, aço ou outros metais onde se utilizam
moldes de areia;
-
Cerâmicas onde se fabricam pisos, azulejos, louças
sanitárias, louças domésticas e outros;
-
Produção e uso de tijolos refratários (construção e
manutenção de alto fornos);
-
Fabricação de vidros ( tanto na preparação como também no
uso de jateamento de areia usado para opacificação ou trabalhos
decorativos);
-
Perfuração de rochas na construção de túneis, barragem e
estradas;
-
Moagem de quartzo e outras pedras contendo sílica livre e
cristalina;
-
Jateamento de areia (utilizado na industria naval, na
opacificação de vidros, na fundição, polimento de peças na
industria metalúrgica e polimento de peças ornamentais);
-
Execução de trabalho em marmoraria4 com granito, ardósia e
outras pedras decorativas.
-
Fabricação de material abrasivo.
-
Escavação de poços.
-
É importante destacarmos a Construção Civil, onde os
trabalhadores podem estar expostos a grande quantidade de
poeiras finas de sílica em operações como talhar, utilizar
marteletes, perfurar, cortar, moer, serrar, movimentar materiais
e carga, trabalho de pedreiro, demolição, jato abrasivo de
concreto (mesmo se a areia não for usada como abrasivo),
varredura a seco, limpeza de concreto ou alvenaria com ar
comprimido.
Outra operação que merece destaque é o jateamento com areia que
oferece alto risco de silicose e que vem apresentando os casos
mais graves da doença no Brasil. É importante notar que qualquer
jato abrasivo, mesmo que o material abrasivo não contenha sílica,
pode oferecer o risco de silicose, se usado para remover materiais
que contenham sílica, como resquícios de moldes de areia em perfis
metálicos.
Além disto, exposição a poeiras de sílica pode ocorrer em
situações inesperadas como de trabalhadores manuseando e
consertando pneus, em locais onde o ar comprimido é amplamente
utilizado para limpar pneus e o chão das oficinas. Tem ocorrido
casos em trabalho de preparação de próteses usando "jatinho" de
areia para trabalhar o material.
4.No Brasil o termo marmoraria é usado para locais onde se
trabalha com vários tipos de minerais e principalmente o granito
que um dos grandes responsáveis pelos casos de silicose nesta
área.
Epidemiologia
O aparecimento da doença com incapacidade temporária ou
permanente e/ou morte tem sido constante nos países desenvolvidos
e, mais ainda, nos países em desenvolvimento onde se verifica
freqüentemente a exposição excessiva a poeiras respiráveis,
contendo sílica livre e cristalina.
No Vietnam, a silicose é considerada uma das doenças ocupacionais
mais prevalente e a doença é uma das maiores causas de concessão
de benefícios previdenciários aos trabalhadores (90%). Dados
recentes demonstram que o número de casos acumulados até o momento
é de aproximadamente 9.000 casos.
Na China, em 1990, houve o registro de aproximadamente 360.000
casos acumulados de pneumoconioses. Durante o período de
1991-1995, a China documentou mais de 500.000 casos de silicose,
com quase 6.000 casos novos ocorrendo a cada ano e mais de 24.000
mortes por ano, a maior parte entre trabalhadores idosos.
Na Índia, uma prevalência de silicose de 55% foi encontrada entre
os trabalhadores, muitos deles jovens, trabalhando em pedreiras de
rochas sedimentárias de xisto, e com atividade subsequente em
locais pequenos e mal ventilados.
Estudos na Malásia demonstram uma prevalência de silicose de 25%
em trabalhadores de pedreiras e de 36% em trabalhadores fazendo
lápides funerárias.
Nos EUA, estima-se que mais de 1 milhão de trabalhadores são
ocupacionalmente expostos a poeiras contendo sílica livre e
cristalina e 100.000 desses trabalhadores correm o risco de terem
silicose. A cada ano, mais de 250 trabalhadores morrem de silicose.
No Brasil a silicose também é uma das pneumoconioses de maior
prevalência e o número estimado de trabalhadores potencialmente
expostos a poeiras contendo sílica é superior a 6 milhões, sendo 4
milhões na construção civil, 500.000 na mineração e garimpo e
acima de 2 milhões em indústrias de transformação de minerais,
metalurgia, industria química, da borracha, cerâmicas e vidro.
Observa-se uma acentuada tendência de aparecimento de casos novos,
cujo significado deve ser creditado mais ao aumento de
diagnósticos decorrentes de busca ativa de casos, que propriamente
ao aumento do problema. As estimativas sobre prevalência da
silicose no Brasil sugerem existir no país, de 25 a 30 mil casos
desta pneumoconiose. (Mendes, 1978)
Estudos demonstram o seguinte quadro de prevalência:
-
Pedreiras a céu aberto - 3,0%
-
Cerâmicas - 3,9%
-
Fundições - 4,5%
-
Industria Naval ( jateamento de areia) - 23,6%
-
Cavação de poços (Ceará , 1986-1989) - 27%
-
Em Minas Gerais foram diagnosticados como portadores de
silicose mais de 4.500 trabalhadores, e calcula-se que exista
cerca de 7.500 casos.
-
No Paraná, o Centro Metropolitano de Apoio à Saúde do
Trabalhador - CEMAST/SESA, desde 1996, registrou entre os casos
confirmados, suspeitos e óbitos, 142 ocorrências em
trabalhadores de Curitiba e Região Metropolitana. Nos últimos 3
anos foram registrados 59 casos de silicose com 10 óbitos. A
mineração apresenta o maior número de casos confirmados com 37
ocorrências sendo que 2 evoluíram para óbito. O jateamento de
areia apresentou 17 casos confirmados e 16 suspeitos, sob
investigação. Oito trabalhadores foram a óbito. Na fundição,
funilaria e cerâmica foram registrados 43 casos, sendo 5
confirmados e 38 em investigação.
3. Os dados incluídos no texto referem-se aos apresentados por
diversos especialistas durante o Seminário Internacional Sobre
Exposição à Sílica realizado em Curitiba.
Prevenção
A fim de prevenir a silicose deve ser evitada a exposição e a
inalação de poeiras respiráveis contendo a sílica livre e
cristalina, através de tecnologias apropriadas de prevenção
primária, que visem:
-
Evitar o uso de materiais que contenham sílica livre e
cristalina;
-
Prevenir ou reduzir a formação de poeiras;
-
Evitar ou controlar a disseminação de poeiras no local de
trabalho;
-
Evitar que os trabalhadores inalem a poeira.
A prevenção primária deve seguir a seguinte hierarquia de
controle:
-
Na fonte do risco (que deve ser a primeira escolha), por
meio de medidas como:
* Substituição da areia, como abrasivo, por materiais menos
perigosos;
* Utilização de materiais numa forma menos poeirenta;
* Modificação de processos de modo a produzir menos poeira;
* Utilização de métodos úmidos.
-
Na transmissão do risco ( entre a fonte e o receptor):
uma vez gerada a poeira, sua disseminação no local de trabalho
deve ser evitada ou controlada por meio de medidas como:
* Isolamento, enclausuramento de operações;
* Ventilação local exaustora;
* Limpeza nos locais de trabalho.
-
No trabalhador:
* Utilização de proteção respiratória de boa qualidade,
eficiente, que se adapte ao rosto do trabalhador, e bem
utilizada dentro de um programa que inclua manutenção,
higienização e reposição de filtros.
Outra estratégia preventiva de grande importância consiste em
promover a disseminação das informações aos trabalhadores e
empregadores sobre os riscos da exposição à sílica e as medidas de
prevenção e controle do ambiente de trabalho bem como as medidas
de higiene pessoal.
A vigilância epidemiológica é também importante pois pode detectar
precocemente os casos e é um complemento indispensável à prevenção
primária.
Dificuldades
Como podemos observar a Silicose é uma doença perfeitamente
prevenível. Existe tecnologia e métodos disponíveis para evitá-la
e há interesse mundial em buscar a sua eliminação.
Entretanto enfrentamos, nas diversas partes do mundo, inúmeras
dificuldades para se conseguir êxito no controle da doença:
-
Falta de prevenção primária nos locais de trabalho;
-
Falhas nas legislações de alguns países;
-
Recursos humanos e financeiros insuficientes ou inadequados;
-
Falta de qualificação apropriada dos profissionais que atuam
na área;
-
Dificuldades para se alcançar as pequenas empresas e o setor
informal;
-
Enfoques preventivos inadequados com programas "preventivos"
baseados principalmente em vigilância e serviços médicos com
ênfase maior na detecção de casos precoces do que na prevenção
da sua ocorrência;
-
Bloqueio da ação preventiva por não ser possível avaliação
quantitativa;
-
Falhas na prevenção e controle dos riscos ocupacionais:
falta de ação preventiva antecipada e falta de trabalho
multidisciplinar;
-
Falta de programas de prevenção e controle bem planejados,
bem gerenciados e sustentáveis.
Pelas experiências em outros países, um importante fator de
auxílio na ação preventiva é a vontade política para se resolver o
problema. Um aspecto que influencia negativamente a vontade
política é a deficiência nas estatísticas de silicose e outras
doenças profissionais em geral, resultado de dificuldades de
diagnóstico da doença e problemas de notificação, particularmente
nas pequenas empresas, na mineração e na indústria da construção
onde muitos trabalhadores não são devidamente registrados, levando
a uma visão fragmentária e parcial do problema.
Medidas necessárias para eliminar a Silicose
A fim de atingir o objetivo de eliminar a silicose, as
seguintes etapas são essenciais:
-
conscientização quanto ao problema da silicose e sua
magnitude, bem como vontade política, motivação e compromisso
(em todos os níveis) para resolve-lo;
-
elaboração e implementação de uma política nacional,
acompanhada de um plano de ação que inclua programas de
prevenção e controle eficientes nos locais de trabalho com
risco, a fim de evitar exposição ao agente etiológico (ou seja
poeiras contendo sílica livre e cristalina), bem como vigilância
ambiental e epidemiológica.
Para isto são necessárias várias ações:
A. Promover a conscientização e a vontade política para o
estabelecimento e implementação de políticas e programas adequados
Os conhecimentos quanto a silicose e sua prevenção existem, porém
não estão suficientemente disseminados. Muitas pessoas que
poderiam desempenhar um papel importante na sua prevenção,
inclusive os trabalhadores, não tem todo o conhecimento
necessário.
É importante promover a difusão da informação com instrumentos
eficientes que alcance o maior número possível de pessoas. Como
ponto de partida é necessário reconhecer e aceitar que existe um
problema, compreender a natureza do risco e a importância de
prevenir a exposição a poeiras contendo sílica livre e cristalina.
B.Suprir as deficiências nas estatísticas de silicose
Segundo estimativa da OPAS: "... na América Latina, os casos
notificados de doenças profissionais totalizam apenas 1- 5% dos
casos que realmente ocorrem" (OPAS/OMS, 1998). No caso da silicose
existe muita sub-notificação e, portanto deve-se melhorar o
diagnóstico e a notificação da doença, a fim de obter e divulgar
estatísticas mais exatas, que são essenciais para se alcançar os
resultados esperados na prevenção da doença. A promoção de estudos
e pesquisas sobre a magnitude do problema e a elaboração de um
programa de capacitação profissional deverão ser também
prioritárias.
C. Prevenção e controle de exposição a poeiras nos locais de
trabalho
Já existem soluções preventivas eficazes para eliminar ou reduzir
a exposição a poeiras, e também existem conhecimentos científicos
e tecnológicos que permitem projetar novas soluções, bem como
modelos para programas e sua gestão. Porém, a aplicação de
conhecimentos teóricos em soluções práticas e realistas deve ser
melhorada, e as práticas bem sucedidas, e os benefícios
resultantes, devem ser mais amplamente disseminados.
É também necessário:
-
dedicar mais recursos à prevenção primária das exposições
ocupacionais;
-
promover pesquisas aplicadas para encontrar soluções
eficientes e pragmáticas;
-
seguir enfoques preventivos adequados;
-
desenvolver mecanismos para alcançar pequenas empresas,
indústria da construção e o setor informal;
As medidas preventivas devem ser integradas em programas de
prevenção e controle eficientes e que sejam bem planejados,
gerenciados e sustentáveis. Devem ser também multidisciplinares e
incluir a comunicação de risco e a educação, bem como vigilância
ambiental e epidemiológica.
D. Desenvolvimento de recursos humanos
O desenvolvimento de recursos humanos é essencial tanto para
avaliar a magnitude do problema (incluindo diagnóstico adequado e
avaliações ambientais) como para preveni-lo, o que requer
conhecimentos técnicos dos princípios de controle, implementação
de estratégias e programas de controle eficazes.
Quanto a recursos humanos, em geral, é necessário:
-
identificar as necessidades e recursos existentes;
-
planejar cursos para tomadores de decisão (governo,
empregadores e trabalhadores), bem como comunicação de risco
(para trabalhadores);
-
promover capacitação especializada de profissionais de saúde
ocupacional (inclusive para "formar formadores");
-
preparar materiais educativos para diferentes níveis.
A fim de promover o espírito de trabalho multidisciplinar, é
recomendável fazer alguns cursos comuns para os diferentes
profissionais de saúde ocupacional.
Comentários Finais
Concluindo, para que a eliminação da silicose tenha êxito, é
necessário:
-
Estabelecer uma Política Nacional;
-
Vontade política com motivação e compromisso em todos os
níveis: governamental (nacional e local) e nas empresas, com
compromisso dos trabalhadores e empregadores;
-
Desenvolver um plano com enfoque intersetorial que
possibilite uma parceria com todos os órgãos e instituições,
governamentais ou não, que tenham relação com o problema;
-
Buscar a parceria com organismos e outras organizações
científicas de diversas partes do mundo;
-
Promover, de modo continuado, a difusão de informações a
trabalhadores e empregadores sobre os riscos da exposição à
sílica e sobre as medidas de prevenção da doença;
-
Promover o desenvolvimento de recursos humanos com
capacidade para o enfrentar e resolver o problema;
-
Desenvolver programas preventivos eficientes e
multidisciplinares, com sustentação política, sólida base
técnica e um bom gerenciamento;
-
Avaliar continuamente os programas preventivos, incluindo a
vigilância ambiental e a vigilância da saúde nos trabalhadores
expostos;
-
Desenvolver pesquisas adequadas que ofereçam soluções
viáveis técnica e financeiramente;
-
Promover uma intensa campanha de divulgação quanto à
existência do problema, às medidas preventivas apropriadas, como
também disponibilizar o acesso à informação em todos os níveis.
Cooperação Internacional
Agencias internacionais podem contribuir para o desenvolvimento
de programas nacionais, pois trazem uma visão global dos
problemas, podem promover e facilitar intercâmbios de
conhecimentos e experiências (assim contribuindo para evitar
duplicação de esforços e desperdício de recursos), podem orientar
e facilitar o desenvolvimento de recursos humanos e
infra-estruturas adequadas. Porém o problema só pode ser resolvido
a nível de cada país.
Ação Internacional para eliminação da Silicose A magnitude do
problema que vem se apresentando no mundo, fez com que o assunto
adquirisse destaque na agenda conjunta da OIT e da OMS culminando
em 1995 com o lançamento do "Programa Internacional da OIT/OMS
para eliminação global da Silicose"
O objetivo do Programa Conjunto é promover o desenvolvimento de
Programas Nacionais de eliminação da silicose que consiga reduzir
significativamente as taxas de incidência da doença até o ano
2010, e eliminar a silicose como problema de saúde pública até o
ano 2030.
Os princípios da ação do Programa Conjunto OIT/OMS são:
-
Formulação de planos de ações regionais, nacionais e
globais;
-
Mobilização de recursos para aplicação de prevenção primária
e secundária;
-
Vigilância epidemiológica;
-
Monitorização e avaliação de resultados;
-
Fortalecimento dos recursos e competências nacionais
necessários para o estabelecimento de programas nacionais;
Este programa internacional dependerá em grande parte da
cooperação entre países, tanto industrializados como em vias de
desenvolvimento, organizações internacionais e ONGs. Em nível
nacional é importante promover a cooperação entre agências
governamentais, organizações de empregadores e trabalhadores,
profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho, a fim de construir
uma infra-estrutura sólida nos países, para prevenir e controlar a
exposição a poeiras de sílica, e assim prevenindo a silicose.
O Programa Conjunto visa ainda promover a vontade política e
compromisso, colaboração intersetorial, programas de capacitação e
disseminação de informação neste campo, educação dos trabalhadores
e comunicação de risco e a harmonização de critérios de
diagnóstico, utilizando a Classificação Internacional de
Radiografias da OIT, a fim de melhorar a detecção precoce da
silicose e facilitar comparações epidemiológicas.
PROGRAMA NACIONAL
O Programa Conjunto OIT/OMS aconselha que os programas
nacionais sejam desenvolvidos integrando os itens citados, e
incluindo outras ações como:
-
Promover a análise do contexto sócio econômico;
-
Identificar os grupos de trabalhadores mais expostos;
-
Definir as estratégias preventivas;
-
Buscar o envolvimento de todos os parceiros na implementação
do programa;
-
Promover a consulta e cooperação tripartite;
-
Buscar apoio institucional para a implementação;
-
Estabelecer critérios para monitorização e avaliação do
programa;
-
Identificar as normas nacionais e estabelecer os "links" com
normas internacionais;
-
Estabelecer estreita relação com a proteção ambiental.
O Programa Nacional deve ser acompanhado de um Plano de Ação
Nacional que contenha as ações necessárias para atingir as metas
estabelecidas no Programa em termos de cooperação
interinstitucional e recursos financeiros e humanos.
O Plano de Eliminação da Silicose, devido ao seu componente de
formação em diagnóstico, poderá contribuir para avaliar a
magnitude de todas as outras pneumoconioses, como também poderá,
devido ao seu componente de prevenção primária, contribuir para
eliminar outras doenças ocupacionais resultantes da exposição a
poeiras.
Certamente contribuirá para conscientizar, capacitar e educar
quanto a enfoques sistemáticos e gerenciais de programas mais
abrangentes de prevenção de riscos ocupacionais e para promover
enfoques multidisciplinares e intersetoriais.
O ponto de partida para a definição do Plano Brasileiro de
Eliminação da Silicose deverá ser o relatório do Seminário
Internacional sobre Exposição à Sílica realizado em Curitiba no
mês de novembro de 2000. (Anexo
1)
O Programa Nacional, intersetorial e multidisciplinar, deve ser
elaborado com uma ampla colaboração e coordenação em nível
nacional que buscará a participação de todos os atores diretamente
envolvidos com a questão.
Clique nos links para ver o anexo na
íntegra.
Anexo 1
Seminário Internacional Sobre Exposição á Sílica
"Prevenção e Controle"
Curitiba - 06 a 10 de Novembro de 2000
Anexo 2
Relatório da reunião de apresentação dos resultados do Seminário
Internacional sobre Exposição á Sílica, realizada em Brasília, no
dia 12 de dezembro de 2000 na sede da Organização Internacional do
Trabalho.
Anexo 3
Relatório das atividades da Oficina de Trabalho sobre o Programa
Nacional de Eliminação da Silicose, realizada em Brasília, nos
dias 12 e 13 de dezembro de 2001.
Anexo 4
Reunião das Entidades de Governo, Brasília, 26/03/2002.
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